sábado, 27 de agosto de 2016

Juazeiro do meu tempo. José Carlos Pimentel: poder persuasivo - Por Jotal Alcides

De acordo com o filósofo grego Aristóteles, discípulo de Platão e professor de Alexandre, o Grande, "a música é celeste, de natureza divina e de tal beleza que encanta a alma e a eleva acima da sua condição". Por isso, o genial filósofo alemão Friedrich Nietzsche, dizia que "sem música, a vida seria um tremendo erro". E sem música italiana, o erro seria ainda maior. Exatamente no início dos anos dourados do Juazeiro do Meu Tempo, época de ouro do rádio no Cariri, em 1965 Elvis Presley lançou um álbum com Santa Lucia, uma das canções da Itália mais famosas no mundo. Fez grande sucesso, cantando apenas o primeiro trecho em italiano:"Sul mare luccica, l'astro d'argento, plácida é l'onda, prospero Il vento, venite all'agile, barchetta mia, Santa Lucia, Santa Lucia". Essa música, criada por Teodoro Cottrau em 1850, foi gravada pela primeira vez em 1916 por Enrico Caruso. Desde então é sucesso no mundo todo. Quando cheguei na Rádio Progresso do Juazeiro, em 1967,reencontrei José Carlos Pimentel, ardoroso defensor da língua italiana e especialmente da música italiana, que é quase mágica, Certamente, Pimentel herdou isso da convivência com os padres salesianos do Juazeiro, muitos deles vindos da Itália trazendo e reeditando aqui seus costumes, suas tradições, sua arte, sua música, seus sentimentos telúricos, como padre Gino Moratelli, diretor de longa duração do Colégio Salesiano do Juazeiro, com quem eu gostava de ficar ouvindo histórias da Itália saboreando um amendoim torrado na hora do recreio. Era assim que matavam a saudade de sua querida Itália enquanto cumpriam no Brasil sua missão de salesianos de Dom Bosco educando a juventude brasileira.Foi nesse ambiente saudável que José Carlos Pimentel tomou gosto e tornou-se um dos maiores entusiastas da música romântica italiana. Era fã incondicional de Domenico Modugno, um dos maioress cantores italianos do século XX, intérprete de Canzone Per Te, de Sérgio Endrigo e Sérgio Bardotti, vencedora do festival de Sanremo, em 1968, com Roberto Carlos. Mas Pimentel tinha também um grande ídolo na musica brasileira: Aguinaldo Timóteo. Passava o dia cantando "Os verdes campos de minha terra".Quase 50 anos depois,: "dizem que eu imitava muito bem o Aguinaldo", diverte-se gargalhando. Até hoje nunca explicou essa sua tendência para a música, mas, pelo seu perfil intelectual, poderia repetir o que um dia disse Ludwig van Beethoven: "A música é uma revelação superior a toda sabedoria e filosofia". Além de cantante, José Carlos Pimentel na Rádio Progresso era noticiarista. Produzia e apresentava com Erivan Xavier o jornal Progresso, diariamente, às 22 horas, com notícias municipais, nacionais e internacionais.Foi anda cronista social da emissora, apresentando "flagrantes sociais juazeirenses" e promovendo aos domingos o concurso "As dez mais elegantes beldades da sociedade juzeirense". Ele aproveitava a grande freqüência ao Cine Eldorado, perto da emissora, de mocinhas estudantes do Colégio Monsenhor Macedo, que concentrava então a elite da educação feminina no Juazeiro. Cada vencedora recebia um brinde do patrocinador Armarinho Silva, de propriedade do empresário João Silva.Era uma concorrência grande de meninas ansiosas para aparecer em destaque no programa de Pimentel. Essa promoção fez um sucesso tão retumbante que, em 1970, na sua primeira das três eleições que venceu para vereador do Juazeiro, 70% dos votos que recebeu foram das urnas do Colégio Monsenhor Macedo. Para essa eleição ele teve uma ajudinha discreta do Vigário do Juazeiro, seu amigo Padre Murilo de Sá Barreto que, em eventos fora da igreja, aproveitava para deixar seu recado eleitoral: "Não seja retardatário, vote no menino do Vigário". Pimentel foi eleito. Como vereador, assumiu a Prefeitura do Juazeiro por 15 dias, na ausência do prefeito Ailton Gomes, em 1980, em viagem a Argentina. Ainda na gestão pública, Pimentel foi o primeiro bibliotecário da Biblioteca Pública do Juazeiro. Outra atividade marcante de Pimentel na Rádio Progresso foi a de repórter eclesiástico. Como era conhecedor das liturgias católicas exercitadas nos Salesianos e amicíssimo do Padre Murilo de Sá Barreto, foi escalado por Menezes Barbosa para coberturas religiosas da paróquia, principalmente a transmissão da Santa Missa aos domingos, diretamente da Matriz de Nossa Senhora das Dores. Polivalente, inteligente, eficiente, dinâmico, culto, impetuoso, trepidante, elétrico, falante, centelhante, autosufciente e autoconfiante, Pimentel tem anda como marca do sua personalidade a ironia. Para ele, como para Victor Hugo, "é pela ironia que começa a liberdade", sobretudo a liberdade de expressão. Depois que se tornou advogado, então, sua irreverência triplicou e ficou com a língua afiadíssima. Advogado destemido, franco e agressivo, sem papa na língua, como seus clientes gostam. É um apaixonado pelo poder das palavras, da música e da inteligência. Gosta de estar ao lado de pessoas inteligentes. Pessoas vazias e chatas lhe dão estresse, impaciência e sonolência. Faz crítica severa aos políticos brasileiros, considerando quase todos corruptos e ladrões. E lamenta que o Judiciário brasileiro esteja tão deteriorado moralmente, de credibilidade abalada junto à população. Querido, admirado e bem relacionado no Forum do Juazeiro, não deixa escapar as falhas circunstanciais, nem limitações, omissões ou excessos de sua entidade associativa, a OAB, sigla que ele traduz como Organização Antonio Besteira, causando risadas entre juízes e advogados. Entre eles, não é dificil . encontrar alguém que já tenha dito para Pimentel, sorrindo. "Quero morrer seu amigo..." Humor gera humor. No fundo, no fundo, sabe ser grande amigo, amigo dos amigos, contados nos dedos por seu espírito altamente seletivo. Detesta imbecis e não tolera imbecilidades. Sempre usou a ironia como uma brincadeira de espírito, mas sabendo que ela pode abalar poderes majestáticos porque até o mais violento tirano se dobra ao ser caricaturado. Em resumo, José Carlos Pimentel é uma das grandes figuras da época de ouro do rádio caririense, que virou político pela popularidade alcançada e advogado dos mais requisitados do Cariri, sempre acreditando no provérbio italiano: "Volere é potere (Querer é poder). No seu tempo de Rádio Progresso, artisticamente criativo e talentoso, por diversas vezes animou e cantou em shows da emissora na Quadra João Cornélio. Mas, sabem onde o ilustre advogado de hoje começou sua carreira radiofônica? Na Amplificadora Domingos Sávio, que funcionava internamente no Colégio Salesiano do Juazeiro, instalada no primeiro andar ao lado da Sacristia da antiga capela, com visão para o campo de futebol, de onde ele e seu amigo Daniel Walker transmitiam informações de utilidade aos estudantes ,mensagens salesianas, conselhos de Dom Bosco, música clássica e instrumental, e jogos do campeonato de times do colégio. Foi assim que os dois começaram a sonhar em trabalhar em rádio. Acreditaram, foram à luta e se realizaram pois os dois marcaram a história da radiofonia no Cariri. Bem que poderiam ter formado uma dupla esportiva no rádio: Pimentel, mais agitado e expansivo, como locutor esportivo; e Daniel, mais contido e reflexivo, como,comentarista esportivo. Penso que os dois, dotados de raciocínio lógico, tirocínio jornalístico, capacidade intelectual, inteligência emocional, robustez cultural e visão holística, poderiam ter construído uma dupla do barulho de alto nível para balançar as redes da audiência regional e empolgar as massas torcedoras, sofredoras e vibradoras. Dono de espirituosidade, sagacidade, perspicácia e loquacidade, José Carlos Pimentel teve sua capacidade intelectual potencializada e turbinada por sólida formação cultural salesiana, tornando-se num cara singularmente plural. Seguramente, por essa razão tem outra particularidade que desde sempre tenho observado em seu perfil: amor-próprio incondicional ou seja, ama-se a si mesmo integralmente, sem restrições. Ama suas virtudes e ama seus defeitos. Ninguém é perfeito. Não que goste dos seus defeitos e não tente superá-los. Significa que tem aceitação total e verdadeira por si próprio, o que é muito favorável ao sucesso. E mesmo que algum defeito imponha desafio como um mal perturbador, ele tem a força oposta de uma virtude para se livrar dele: "quem canta seus males espanta". Conheci Pimentel em 1958., em noite de espetáculo artístico no Colégio Salesiano. Eu, bem garoto, na platéia, e ele, ainda garoto, no palco, solo, cantando Santa Lucia, a bela canção napolitana::"No mar brilha, a estrela de prata, plácida é a vaga, o vento é favorável, venha ligeiro, meu barquinho, Santa Lucia! Santa Lucia!" Se o escritor italiano Franco Moschino estivesse lá teria dito: "A música se expande como a luz por todos os lugares onde passa". Pimentel parece que sabia desse poder persuasivo e exultava com seu canto iluminado. Bravíssimo! Aplaudidíssimo! !

*Jota Alcides, jornalista e escritor, é autor de "PRA-8 O Rádio no Brasil" e "O Recife, Berço Brasílico".

sábado, 20 de agosto de 2016

JUAZEIRO DO MEU TEMPO-11 COELHO ALVES, MESTRE DO RÁDIO - Por Jota Alcides

Mestre dos Mestres da filosofia oriental, Confucio ( 551 a.C. – 479 a.C.) formou uma escola que disseminou pelo mundo essenciais princípios de vida para melhoria da humanidade: altruísmo; cortesia ritual; conhecimento; integridade; fidelidade; justiça; retidão; e honradez. Durante 15 anos, de 1952 a 1967, ele foi o Rei do Rádio no Cariri. Tudo que se relacionava com rádio - programação musical, jornadas esportivas, programação cultural, formação de equipes, shows artísticos, reportagens externas, coberturas políticas, publicidade radiofônica, gravações comerciais etc - era com ele: Coelho Alves, diretor da Rádio Iracema do Juazeiro, a pioneira da Rede Iracemista de Rádio no Cariri. Depois da chegada da Rádio Progresso em 1967, ele passou a dividir o reinado com Menezes Barbosa, diretor da nova emissora que assumiu já com elevado prestígio intelectual, mas Coelho Alves manteve sua condição de grande ícone da radiofonia caiririense, sendo reverenciado e homenageado como Mestre do Rádio, carinhosamente chamado "Mestre Coelho". Curiosamente, conquistou esse reconhecimento praticando, talvez até sem saber, os mesmos princípios da doutrina confucionista. Mas, também por intuição, ele seguia Shakespeare: "Ninguém poderá jamais aperfeiçoar-se, se não tiver o mundo como mestre. A experiência se adquire na prática". Foi assim que Coelho Alves se tornou mestre. Formado em contabilidade pela Escola Técnica do Comércio de Juazeiro do Norte, Coelho Alves começou na radiofonia em 1942 no Centro Regional de Publicidade do Juazeiro, convidado então pelo diretor Lourival Marques, juazeirense que foi mais tarde grande e inovador diretor da Rádio Nacional do Rio de Janeiro., na Era de Ouro do rádio brasileiro.Em 1951, passou a integrar a primeira emissora de Juazeiro, Radio Iracema,por indicação de Lourival Marques ao Grupo Irmãos Parente, dono da nova estação, tornando-se no ano seguinte seu diretor. Como diretor da Rádio Iracema, Coelho Alves enfrentou muitas dificuldades. A rádio era o símbolo do desenvolvimento do Juazeiro, mas a cidade ainda tinha um comércio varejista incipiente e era uma verdadeira batalha conseguir anúncio publicitário para manter a emissora. Outro grande obstáculo: Juazeiro ainda não tinha a energia de Paulo Afonso, que só chegou em 1961, pioneiramente no Ceará. Até então a cidade era iluminada por geradores mantidos pela Prefeitura durante parte da noite. Eram poucas as residências com aparelhos receptores de rádio. Tudo isso era dificuldade para audiência e expansão da emissora. Coelho Alves teve que, praticamente, desbravar uma floresta e começar tudo do zero. Mas, paciente e perseverante, foi à luta para conseguir sua realização. Com a chegada da energia elétrica permanente, fornecida pela Chesf e distribuída no Juazeiro pela Celca-Companhia de Eletricidade do Cariri, dez anos depois da inauguração da Rádio Iracema, Juazeiro ganhou novo impulso de progresso. O comércio se abasteceu de eletrodomésticos e houve correria compulsiva às compras de geladeiras, fogões, enceradeiras, chuveiros, liquidificadores, ferros de passar roupas, ventiladores, aspiradores, aparelhos de rádio. Juazeiro ganhou até uma fábrica de rádios - a IESA, Indústrias Eletromáquinas S/A. Mercado aquecido, mais publicidade. Surgiram novos anunciantes, um alívio para Coelho Alves na luta para manutenção da emissora pioneira. Até o Juazeiro do Meu Tempo, final dos anos 1960, grandes nomes da radiofonia juazeirense começaram, cresceram e se projetaram na região do Cariri e no Ceará, sob a direção e a orientação do Mestre Coelho.Cronistas: Souza Menezes, Expedito Cornélio, Elias Sobral; comentaristas esportivos: Luiz Marques, Nestor Gondim, José Boaventura; locutores esportivos: Dário Maia Coimbra, Luiz Carlos de Lima, Francisco de Assis Silva(Foguinho), Vilmar Lima, Carlos Alencar; Jucier Lima; repórteres esportivos: Lucier Menezes, Cícero Antonio, Paulo Duarte, Dalton Medeiros; disck-joqueis e animadores: Alceli Sobreira, Geraldo Alves, Aguinaldo Carlos, Pedro Duarte, Maciel Silva, Jose Brasileiro, Aloisio Campelo, Robson Xavier; redatores: Daniel Walker, Iderval Pedroso, Donizeti Sobreira,Erivan Xavier; ;locutoras:Wilany Magalhães, Almery Sobreira, Vilma Maria. Foi mestre e amigo de todos eles. Segundo Friedrich Nietzsche "quem é fundamentalmente um mestre, apenas toma a sério tudo o que se relaciona com os seus discípulos, - incluindo a si próprio". Coelho era assim. Não era um intelectual acadêmico, mas um intelectual popular,com sensibilidade e sabedoria. Descobriu na dureza da experiência que a arte de pensar é um tesouro dos sábios. Aprendeu a pensar antes de reagir e a entender cada pessoa como ser único no universo. Sabia incendiar a motivação de cada um dos seus para vencer obstáculos aparentemente intransponíveis. Para todos eles, um mestre inesquecível que soube ensinar de forma simples, humana e alegre. Além disso, Coelho tinha um diferencial, valor agregado, sua belíssima voz, "uma voz amiga dentro do seu lar" que encantava a todos no Cariri. Minha relação com Coelho Alves foi inicialmente uma relação típica de principiante diante de um professor, veterano e pioneiro, de todos mestre e mestre para todos.. Tinha por ele admiração e respeito, com certa inibição para me aproximar e puxar uma conversa. Parece que ele percebia isso e me tratava com cordialidade, educação e gentileza. Por isso, eu achava Coelho meio sério e meio risonho. Sobre isso encontrei, depois, explicação em Machado de Assis: "O Mestre deve ser meio sério, para dar autoridade à lição e meio risonho, para obter o perdão da correção se houver necessidade". Ao final de 1969, na calçada do Jaçanã Lanches, no Edifício M. Oliveira. Coelho Alves. sabendo que eu estava me preparando para voltar ao Recife, falou-me direto e franco, seu estilo: "Quero mandar Cícero Antonio (seu filho) para Recife também para trabalhar e estudar. Mas, ele tem uma dificuldade enorme para viver longe de casa e do Juazeiro. Preciso de uma pessoa que ajude ele a conhecer o Recife, gostar do Recife e se desligar um pouco do Juazeiro porque somente assim ele terá seu rumo próprio na vida. Aqui, perto dos pais, não conseguirá. Você faria isso por mim?. Eu confio em você!". Como exímio locutor, Coelho sabia o valor das palavras. Mais uma vez inspirava-se no Mestre Confucio: "Quem não conhece o valor das palavras não saberá conhecer os homens". Com o amor de pai e de verdadeiro mestre, queria que o filho-discípulo aprendesse a desenvencilhar-se sozinho na vida. Desde esse momento, então, nosso relacionamento, que era apenas de cordialidade, virou amizade. Tornei-me cúmplice de Coelho Alves em favor do seu filho Cicero Antonio.. Mas o plano era modesto para solução de Cícero Antonio..Com imaginação fértil, ele ficava inventando coisas para passar o fim-de-semana no Juazeiro. Até "buscar um cinto deixado em casa e que está me fazendo falta". Parecia brincadeira. Mas, em verdade, Cícero Antonio era apegadíssimo ao pai. Não conseguia viver longe dele. O plano fracassou. Por conta desse distanciamento forçado, tornou-se um rebelde sem causa. Não quis ficar no Recife, não ficou. Até o dia em que arranjou uma causa bem longe do Juazeiro e do Brasil. Foi estudar Turismo na Espanha. Em 1970, Coelho Alves fez uma viagem ao Recife para renovação de contrato publicitário com o representante dos Relógios Grão-Duque, anunciante da Rádio Iracema. Aproveitou e foi visitar-me no Rádio Clube de Pernambuco, Palácio do Rádio, avenida Cruz Cabugá, bairro de Santo Amaro. Recebi-o com alegria e mostrei-lhe as principais instalações da emissora pioneira na América Latina. No estúdio A, onde eram apresentados ao vivo os programas campeões de audiência, diante dos possantes microfones da PRA-8, Coelho ficou pensativo e confessou: "Eu era para estar trabalhando aqui nestes microfones famosos do radio brasileiro. Fui convidado duas vezes. Mas eu nunca quis sair do Juazeiro. Eu amo Juazeiro, vou morrer no Juazeiro". Foi o que aconteceu no dia 24 de novembro de 1984. Depois do almoço em casa na rua São José, ao lado de sua querida esposa, dona Rosa, Coelho foi fazer o que mais gostava nesse horário: tirar uma soneca numa bela rede, caprichosamente produzida pelo diversificado e criativo artesanato juazeirense, armada na sala. Mas enquanto dormia, seu coração parou e calou a voz mais bonita do Cariri. Sua sonoridade inconfundível agora está presente apenas em sinais de radioestesia no horizonte da eternidade. Saudade, Mestre Coelho!

*Jota Alcides, jornalista e escritor, é autor de "PRA-8 O Rádio no Brasil" e "Juazeiro, Cidade Gloriosa"

sábado, 6 de agosto de 2016

JUAZEIRO DO MEU TEMPO - Bola ao centro - Por Jota Alcides

"Chuá.Goooooooooooooo!". Era assim que o vibrante locutor esportivo Luis Carlos de Lima, da Rádio Iracema do Juazeiro, gritava o lance de gol espalhando emoção desde o velho estádio da LDJ-Liga Desportiva Juazeirense para todo o Vale do Cariri. Ao final da década de 1960, tempo do "Scratch do Rádio", muitos narradores esportivos no Brasil eram famosos por seus bordões: Waldir Amaral, Radio Globo: "tem peixe na rede"; Jorge Curi: Rádio Nacional: "passa de passagem"; Oswaldo Moreira, Rádio Tupi "respeitável público"; Fiori Giglioti, Rádio Bandeirantes: "abrem-se as cortinas e começa o espetáculo"; Geraldo José de Almeida, Rádio Record, "Dez é a camisa dele"; Willy Gonser, Rádio Nacional, "tem bola no barbante"; Ivan Lima, Rádio Clube de Pernambuco, "Bola na Rrrrrrrrrrede" Dos famosos dessa época, apenas Doalcei Bueno de Camargo, Rádio Tupi, não tinha bordão. O de Luis Carlos era "Chuá", simples, curto, fácil, original, empolgante e com significado: gostoso, fabuloso, delicioso, maravilhoso, representando o barulho da bola tocando na rede. Ao lado do chefe da Equipe 970 e seu comentarista titular, o catedrático José Boaventura, formava uma dupla imbatível em audiência e prestigio em todo o interior do Ceará. Antes, a equipe da Rádio Iracema já tinha tido dois excelentes comentaristas; Luiz Marques e Neston Gondim, e o narrrador Dário Maia Coimbra. Luiz Carlos começou como narrador esportivo na Rádio Iracema em 1962, convidado por José Boaventura. Os dois se tornaram amigos fraternos e passaram a desenvolver, cada vez mais, um trabalho conjunto competente e eficiente que virou uma marca da Rádio Iracema, consagrada como a emissora da melhor equipe esportiva do interior do Ceará. Nessa condição, Luiz Carlos e Boaventura fizeram transmissões de jogos no Maracanã e no Morumbi, cumprindo o chamado "verdadeiro esforço de reportagem". O prestígio deles ultrapassou as fronteiras do Cariri e do Ceará. Em 1965, Luiz Carlos foi o locutor convidado para fazer a primeira transmissão esportiva da Rádio Difusora de Cajazeiras, na Paraíba. Além de Luiz Carlos e Boaventura, faziam parte da Equipe 970: Francisco Silva (Foguinho), Vilmar Lima, Cícero Antonio, Carlos Alencar, Lucier Menezes, Paulo Duate. "Futebol de Primeira é na Pioneira", afirmavam orgulhosamente repetindo o slogan esportivo da primeira emissora do Juazeiro, inaugurada em novembro de 1951. De vez em quando, eles recebiam a visita de colegas de outros Estados. Quando isso ocorria, cediam para os colegas a modesta cabine de madeirite da emissora na LDJ, que mais parecia um poleiro de galinhas, e iam fazer a transmissão em cima do muro do estádio. Que precariedade! Foi o que aconteceu em 1968 quando o Santa Cruz do Recife jogou no Juazeiro. Na companhia do time dois monstros sagrados da radiofonia esportiva de Pernambuco: Gomes Neto, chefe de esportes do Rádio Jornal do Commércio, então a emissora mais potente do Brasil, e Ivan Lima, do Rádio Clube de Pernambuco, propagado como o locutor esportivo nº 1 do Norte e Nordeste do Brasil. Foram recebidos e tratados com cordialidade, cortesia e natural tietagem. Ficávamos lempolgados com ilustres presenças, mas morrendo de vergonha do estádio da LDJ. Tentávamos compensar a pobreza com gentileza. Chegado no sábado, véspera do jogo, Ivan Lima foi visitar a Rádio Iracema. Encontrou no estúdio Aguinaldo Carlos aguardando a "Hora do Ângelus" e já foi abrindo o verbo com seu vozeirão e ao seu estilo: "Vamos gravar a Ave Maria com a voz mais bonita do Brasil". Sorriu e completou diante de Aguinaldo surpreso com a inesperada celebridade: "Mas também é a voz mais cara do Norte e Nordeste". (Gargalhada). Era Ivan Lima mesmo, sem a mínima modéstia, pois, afinal, era aplaudido como o melhor locutor do Brasil. Conheci-o no início da década de 1970 no Rádio Clube PRA-8 onde fomos companheiros. Mais tarde, em 1977, quando eu era Diretor de Redação do Jornal do Commércio e ele diretor do Rádio Jornal do Commércio, entrou de repente na minha sala mostrando a arte de um anúncio do tamanho de uma página de jornal. O anúncio trazia uma foto enorme do rosto dele diante de possante microfone narrando um jogo. Na parte de baixo, escrito bem vistoso: Ivan Lima - O mais premiado locutor esportivo do Brasil. - Ouça o Escrete de Ouro - Rádio Jornal do Commércio. "Olha Jota, que coisa mais linda. Como eu sou bonito! (Risos). Por favor, publica essa página para mim no Jornal do Commércio. Pode ter certeza que vai ajudar a vender muito jornal". (Risos). Grandalhão, biofísico típico do baiano, era um cara de bem com a vida e com a autoestima nas alturas, pois festejadíssimo pelo povo de Pernambuco. No Juazeiro, Luiz Carlos não tinha o vozeirão de Ivan Lima, nem ganhava o que Ivan Lima ganhava, mas tinha a mesma empolgação de Ivan Lima. Narração de Luis Carlos tinha vibração, precisão, velocidade, espirituosidade e emoção. Com sua experiência, adotou uma técnica de comunicação apurada, usando de forma adequada o tom, o timbre e o ritmo de sua voz para melhor interpretar o que via acontecendo em campo e melhor se expressar para compreensão do público ouvinte. Dono de boa dicção, articulando bem as palavras, sem comer letras ou sílabas. aplicado e estudioso de sua atividade, ele respeitava o que os ouvintes sabiam e não podiam ser enganados: um comercial ao vivo é diferente de um programa romântico, um programa romântico é diferente de uma narração de futebol. E a própria narração de futebol pode ter pausas de respiração que determinam momentos de ritmo mais lento, como num lance de jogador contundido, ou mais rápido, como num lance de ataque fulminante de gol iminente. Para os ouvintes, um bom locutor esportivo precisa estar atentíssimo, ser sagaz e perspicaz para entender e interpretar manhas, artimanhas e peripécias que um jogador pode improvisar dentro de campo, como um dia fez o genial Mané Garrincha ao deixar todo mundo em dúvida antes de marcar o gol: '"O goleiro deles não queria abrir as pernas. Fiquei esperando". Foi assim, com diligência e inteligência que Luis Carlos chegou ao sucesso. Ao final da década de 1960, a Rádio Iracema tinha uma liderança consolidada nos esportes. Mesmo com uma equipe formidável - Wellington Amorim, Wilton Bezerra, Jussier Cunha, João Eudes, Madeilton Alexandre - a Rádio Progresso, que chegou liderando em jornalismo e música, precisou lutar muito e lutou persistentemente até conseguir uma fatia importante da audiência esportiva. Além de ser seu vizinho de residência, na Rua Santa Luzia, bairro de São Miguel, eu pessoalmente era admirador do Luiz Carlos porque ele possuia conhecimento profundo das regras, terminologia e história do futebol,fazia o torcedor ver o jogo sem estar no estádio, descrevendo todos os lances por completo. Situava o torcedor dentro de campo. Nos dias atuais, alguns locutores não fazem narrração, fazem enrolação - cruzou o zagueiro, cortou o zagueiro, bateu o atacante, caiu o meiocampista. Como diz Edemar Annuseck, jornalista, narrador esportivo que foi da Jovem Pan, Record, Tupi e Globo, "Hoje os tempos são outros, as narrações são outras, a qualidade é outra. Enfim, cada um faça como melhor lhe aprouver porque narrar futebol em rádio não é isso que a maioria faz nos dias de hoje". Luiz Carlos dava os nomes dos atletas. Fazia questão da precisão. Formado em Biologia pela Urca e pós-graduado em Planejamento Escolar, Luiz Carlos um dia reunido com um grupo de colegas, com a presença do meu amigo Wellington Amorim, que me contou depois, em avaliação sobre meu desempenho de estreante no jornalismo, resumiu: "Jota Alcides é um avancista". Certamente por isso, Luiz Carlos tomou a iniciativa de me brindar em outubro de 1968 com um Certificado de Honra ao Mérito assinado por jornalistas do rádio juazeirense por eu ter organizado e realizado no Juazeiro o 1º Simpósio da Imprensa Caririense: "Nós, abaixo assinados, membros do radialismo juazeirense, reconhecendo o profícuo trabalho do companheiro Jota Alcides, quando da realização do 1º Simpósio da Imprensa Caririense, conferimo-lhe esta medalha como prova do nosso reconhecimento". Assinados: Luiz Carlos de Lima, José Carlos Pimentel, Wellington Amorim, Lucier Menezes, João Barbosa e Robledo Pontes. Menezes Barbosa também assinou escrevendo: "Aprovo com justiça. O Jota Alcides merece a Honra ao Mérito e que fique este documento arquivado nos anais da Rádio Progresso e que se dê divulgação pela imprensa falada e escrita". Ao final da década de 1960, a atividade de locutor ainda não era regulamentada, o que só veio a ocorrer ao final da década de 1970.É impressionante quando a gente olha para trás e percebe a diferença do futebol do Juazeiro no tempo. Nos anos dourados da década de 1960, Icasa e Guarani, mesmo amadores e anda sem o Romeirão, eram muito melhores e mais competitivos do que esses dois timinhos que só deram vexame ao Juazeiro na Série D do Brasileirão. Que o diga Luiz Carlos, que ficou na Rádio Iracema até 1980, tendo passagem pela Radio Progresso de 1970 a 1972, quando voltou para a Rádio Iracema. Passou também pela Rádio Vale do Cariri AM com sua equipe esportiva. Surfou nas ondas do rádio juazeirense e deixou sua marca na história da radiofonia caririense: ninguérm esquece a abertura de suas jornadas esportivas na Rádio Iracema pela linda musica instrumental "Seventy-Six Trombones" com The Boston Pops Orchestra de John Williams. Quando essa música tocava, todo mundo no Juazeiro e no Cariri já sabia: vem aí o locutor do "Chuá" com a bola no centro do espetáculo ...Como era bom! " !

*Jota Alcides, jornalista e escritor, é autor de "Manchester do Cariri" e "Mestre da Bola no Ar"


sábado, 4 de junho de 2016

Juazeiro do meu tempo - Anos 60 - Por Jota Alcides

Mesmo morando há 36 anos, desde 1980, em Brasília, onde tive a honra de ser assessor de comunicação do Ministério da Educação e Cultura, Secretário de Redação da Radiobras, Editor-Chefe do Correio Braziliense, um dos mais influentes jornais brasileiros, e Diretor de Fatorama, o primeiro jornal fast-news do Brasil, mantenho comigo, intransferíveis e indeléveis, as emoções vividas nos anos dourados ao final da década de 1960 em Juazeiro do Norte, metrópole progressista do aprazível e exuberante Vale do Cariri. Não foram arrefecidas nem pelas fortes emoções da densa e intensa jornada de uma década antes, entre 1970 e 1980, no Recife, onde fui noticiarista do Rádio Clube de Pernambuco, Editor-Executivo da Rádio Capibaribe do Recife, Editor-Executivo da TV Jornal do Commércio, Editor-Chefe da Rede Globo Nordeste e Diretor de Redação do Jornal do Commércio, um dos mais importantes do Brasil. Tão fortes foram essas emoções dos anos dourados que revisitei Juazeiro do Meu Tempo, nessa semana, sensibilizado pelo falecimento aos 82 anos do jornalista e teatrólogo Aldemir Sobreira, um dos ícones da imprensa do Cariri, ex-diretor de Marketing da TV Verdes Mares. Foi com esses dois mestres que iniciei, simultaneamente, em agosto de 1967, minha carreira no jornalismo: Menezes Barbosa, fundador e diretor da Rádio Progresso do Juazeiro, e Aldemir Sobreira, fundador e diretor do jornal Tribuna do Juazeiro. Curiosamente, recém-chegado de uma temporada de seis anos em Colégio Salesiano de Pernambuco, fui apresentado aos dois pelo mesmo jornalista: Carlúcio Pereira, então um dos mais famosos nomes da radiofonia caririense, âncora do "Rádio-Revista do Meio-Dia", líder de audiência na Rádio Progresso. Menezes Barbosa, conheci-o em seu escritório na Rádio Progresso, 1º andar do Edifício Walquíria, na rua Santa Luzia, centro; Aldemir Sobreira, conheci-o na entrada do edifício comercial "A Vencedora", o mais alto da cidade na Rua São Pedro, empreendimento de Severino Alves Sobrinho, no chamado "Quarteirão de sucesso da cidade". Eu tinha grande admiração pelo jornalismo no rádio ao qual dediquei-me de alma inteira, mas minha verdadeira obsessão era o jornal. "Jornalismo é uma atividade que dá mais prestígio do que dinheiro, porém é a mais bonita das profissões", dizia-me Aldemir Sobreira, alertando e  estimulando. Com ele, desbravei os primeiros caminhos do jornalismo impresso: redigia uma coluna semanal assinada, fazia revisão de alguns textos que ele me submetia, acompanhava-o na impressão do jornal na Tipografia Cariri, em Crato, e ajudava-o, numa kombi, na distribuição dos exemplares no Juazeiro. Com sede na Avenida Padre Cícero, mais ou menos perto do cruzamento com a rua Santa Luzia, o jornal exercia influência com a credibilidade de porta-voz dos anseios juazeirenses. Casado com a professora de Literatura, Maria dos Remédios, e apoiado no jornal pela irmã, também professora de Literatura, Sílmia Sobreira, o tribuneiro Aldemir Sobreira era uma referência intelectual da cidade, uma personalidade sempre requisitada e sempre presente nos principais eventos do Juazeiro. Cidadão sério e brincalhão, culto e dinâmico, foi Secretário da Cultura e um dos principais colaboradores do então prefeito Mauro Sampaio, o melhor da história do Juazeiro depois do Padre Cícero. Com sua inteligência criadora, Aldemir estava sempre desafiando a capacidade realizadora de Mauro Sampaio com sugestões palpitantes e propostas inovadoras para uma cidade em organização e crescimento. Em evidência, tornei-me Assessor de Imprensa do prefeito Mauro Sampaio. Nesse Juazeiro do Meu Tempo, ao lado de Aldemir Sobreira, brilhavam outros ícones da mídia e demais segmentos da sociedade, todos movidos pelo mesmo sentimento de servir, contaminados então pelo idealismo dos membros da Câmara Júnior, do Rotary Clube e do Lions Clube, entidades realmente proativas na vanguarda da prosperidade do Juazeiro. Com saudades lembro de alguns deles: Coelho Alves, ou mestre Coelho, como era carinhosamente chamado, diretor-gerente da Rádio Iracema do Juazeiro, a voz mais conhecida do Cariri, primorosa e inconfundível, admirada e celebrada como "uma voz amiga dentro do seu lar"; Seu irmão, Geraldo Alves, audiência cativa nas manhãs do Juazeiro, também pela Radio Iracema, com seu programa "Discoteca do Fã"; Alceli Sobreira, além do vozeirão incomparável, excelente repórter aprimorado por sua experiência na Rádio Piratininga de São Paulo; . Souza Menezes, culto e versátil, era excelente cronista da Rádio Iraccema, com reflexões diárias sobre a realidade juazeirense. Outro cronista bastante apreciado na Rádio Iracema era Expedito Cornélio, eficiente presidente da Celca-Companhia de Eletricidade do Cariri, pioneira da energia de Paulo Afonso no Ceará. Na Rádio Progresso, o cronista Menezes Barbosa, o mais aplaudido do Cariri, empolgava multidões em mobilizações e campanhas comunitárias, espalhando solidariedade e conforto aos mais carentes ou eventuais necessitados. Daniel Walker, redator e um dos apresentadores do Jornal Sonoro Iracema, atuava também como correspondente do jornal O Povo, de Fortaleza, onde fazia Juazeiro aparecer em destaque. Eu, além de acumular sucesso e prestígio na região como produtor e editor do "Repórter Cariri", apresentado pela voz poderosa de Geraldo Batista na Rádio Progresso, projetava Juazeiro para todo o Brasil nas páginas do velho Diário de Pernambuco, o mais antigo jornal em circulação na América Latina, desde 1825. Era seu correspondente no Cariri. Foi tão importante esse espaço que o tradicional jornal de Pernambuco acabou abrindo e mantendo aos domingos uma coluna por mim assinada intitulada "Diário no Cariri". Walter Barbosa, dono de grande audiência com "Delegacia das Lamentações" na Rádio Progresso e correspondente do Correio do Ceará, de Fortaleza, estava sempre batalhando, incansavelmente, em defesa da imprensa do Juazeiro cuidando de projetos e interesses da Associação Juazeirense de Imprensa; Wellington Amorim, cronista esportivo, o maior vibrador por Juazeiro, a cada conquista da cidade fazia sua comemoração pessoal, friccionando as mãos e louvando Padre Cícero: "O homem é mesmo forte". Aguinaldo Carlos, ícone da jovem-guarda no rádio, e futuro advogado, era uma referência creditícia no Banco da Bahia agência do Juazeiro; Dário Maia Coimbra exibia dia e noite a cara do CRP-Centro Regional de Publicidade, pioneiro na difusão de notícias no Juazeiro; Renato Casimiro despontava como grande pesquisador da história do Juazeiro; Abraão Batista, professor universitário, fazia Juazeiro brilhar na literatura de cordel; Jose Carlos Pimentel, também futuro advogado, era atração na Radio Progresso com os flagrantes sociais juazeirenses; Pedro Bandeira, consagrava-se pelo rádio como Príncipe dos Poetas Populares num Juazeiro cheio de violas e violeiros; Juazeiro parava todos os dias à tarde para ouvir "A Tarrrrrrrrrde é Nossa", com Campos Júnior; Outra grande atração era João Sobreira, operador da Varig no Aeroporto do Juazeiro, agitando a "Juventude Brasa" nas manhãs da Radio Progresso; João Barbosa, gerente comercial da Rádio Progresso, de espírito bem humorado, tinha um método particular de estimular os mais jovens duvidando de suas ousadias: "Isso não vai dar certo!". Todos nós trabalhávamos com muita dedicação e amor. Ganhávamos pouco, o salário às vezes não dava nem para pagar a conta mensal no Jaçanã Lanches, do amigo José Lima, no térreo do Edificio M. Oliveira, em frente às emissoras. Mas éramos felizes. Juazeiro do Meu Tempo ainda não tinha Estatua do Padre Cícero, nem Estádio Romeirão, nem Memorial Padre Cícero, nem Ginásio Poliesportivo, nem Centro de Apoio aos Romeiros, nem Luzeiro do Nordeste, nem Shopping Center, nem hipermercado, nem supermercado, nem televisão, nem grandes hotéis e também ainda não tinha curso superior. Mas o que seu povo ouvia o dia inteiro nas ondas do rádio era uma mensagem de franco otimismo, plena autoconfiança e crença no progresso: "Cidade que mais cresce no Ceará". Vislumbrava-se um futuro bem próximo onde apareciam, materializados, todos esses sonhos. E era uma coisa tão profética que hoje Juazeiro surpreende o Ceará com excelente rede hoteleira, hipermercado, três supermercados atacarejos, dois shopping centers, duas estações de televisão e mais de 150 cursos superiores, o maior centro universitário do interior do Estado. Nesse Juazeiro do Meu Tempo, divertíamos nas festas dançantes do Clube dos Doze, do Treze Atlético Juazeirense, nos shows artísticos na Quadra João Cornélio e na Churrascaria Acapulco ou ainda com os mais recentes filmes internacionais nos Cines Eldorado e Capitólio. Fora da imprensa, mas sempre ao lado da imprensa, destacavam-se importantes líderes comunitários e formadores de opinião: Padre Murilo Barreto, estimadíssimo vigário do Juazeiro, era um intelectual, radialista por segunda vocação, querido e respeitado por todos; José Gondim Lóssio, presidente da Associação Comercial do Juazeiro, sempre à frente de grandes empreendimentos; Aderson Borges de Carvalho, um dos maiores empreendedores do comércio do Juazeiro; José Afonso de Oliveira, diretor do Banco do Juazeiro, orgulho da cidade; Gilberto Sobreira alimentava a cultura do Juazeiro com a Gráfica Sobreira. Antonio Fernandes Coimbra fazia o mesmo com a Gráfica Mascote. Francisco Souza (Tico) tornava Juazeiro conhecido fora do Cariri por sua Cajuina São Geraldo, o melhor refrigerante de caju do Brasil.Geová Sobreira, diligente e obstinado diretor do Ginásio 24 de Março, que ele criou contra a vontade do Governo do Ceará que impedia Juazeiro de ter ensino ginasial. Que luta hein Geová!; Engenheiro eletrônico José Batista, formado pela Universidade Federal de Pernambuco, dava orgulho ao Juazeiro com sua IESA-Indústrias Eletromáquinas S/A, na Avenida Padre Cícero, uma fábrica de rádios para todo o Brasil. Sim, Juazeiro tinha uma fábrica de rádios. Dinâmico e entusiasmado Antonio Celestino conduzia o sucesso da Aliança de Ouro S/A, referência comercial do Juazeiro. Feijó de Sá comandava a organização Icasa-Indústria e Comércio de Algodão S/A, a nova força econômica da cidade; e Severino Gonçalves Duarte com a Imboplasa-Industria de Borrrachas e Plásticos S/A abria o florescente polo de calçados do Juazeiro, que se tornaria o terceiro maior do Brasil. Em Juazeiro do Meu Tempo e do tempo de Aldemir Sobreira, nas tardes ensolaradas de domingo, juntava-me aos companheiros de jornadas esportivas, num clima de harmonia e de confraternização, no antigo e acanhado estádio da LDJ-Liga Desportiva Juazeirense, sobretudo no tradicional clássico Icasa X Guarani. O espetáculo no radio era com eles: Wellington Amorim, Jucier Cunha, Wellington Balbino, Francisco Silva (Foguinho), Dalton Medeiros, Wilton Bezerra, José Boaventura, Luiz Carlos de Lima, Carlos Alencar, Jucier Lima, Cícero Antonio, Paulo Duarte, João Eudes e outros craques da bola no rádio. Ocupavam também essa galeria radiofônica: Robledo Pontes, Pedro Duarte, Vilmar Lima, Erivan Xavier, Albis Filho, Estevão Rodrigues, Donizeti Sobreira, Lucier Menezes, Maciel Silva, Roterdam Martins, Wellnigton Oliveira, Francisco Ferreira (Escurinho). Embora fizessem parte de emissoras concorrentes e competitivas, não se revelavam rivais. Pelo contrário, o objetivo de cada um era o objetivo de todos: servir ao progresso do Juazeiro. Éramos mais do que colegas, mais do que companheiros, éramos literalmente confrades. Formávamos uma confraria. Graças a Deus fiz parte dessa geração, preciosamente rica em criatividade e, realização. propulsora do progresso do Juazeiro, cheia de patriotismo por Juazeiro. Convivi prazerosamente com todos esses ativistas pró-Juazeiro. Nossos ídolos eram os Beatles de Liverpool e os astros brasileiros da jovem-guarda. Vivíamos o dia inteiro em ritmo de iê-iê-iê, numa contagiante revolução da alegria. Assim era Juazeiro do Meu Tempo e do tempo de Aldemir Sobreira nos incríveis e inesquecíveis anos dourados que não voltam mais. Como era bom!....Agora, só ouço o poeta francês Henry Bataille me confortando: "O passado é um segundo coração que bate dentro de nós".

*Jota Alcides, jornalista e escritor, é autor de "Juazeiro, Cidade Gloriosa" e "Santa Maria do Juazeiro" "

sábado, 23 de janeiro de 2016

FOTO DO AEROPORTO DE JUAZEIRO DO NORTE

A foto acima mostra o Aeroporto de Juazeiro do Norte nos anos 60. A partir dos anos 70 por força por força de uma LEI MUNICIPAL, ele passou a ser chamado AEROPORTO REGIONAL DO CARIRI GOVERNADOR DR. PLÁCIDO ADERALDO CASTELO. Atualmente é denominado de Aeroporto Regional Deputado Orlando Bezerra de Menezes.

domingo, 9 de junho de 2013

Colação de Grau dos Diplomandos de 1961 do Colégio Salesiano


 
Quadro dos Diplomandos
Ademir Gonçalves Miná
Ailton Pássaro de Morais
Anchieta Martinez de Montalverne
Aniz  Gabriel Fares
Antonio Carlos Santana de Morais
Carlos Aécio Neves Caldas
Cesinho Luiz de Brito
César Casundé
Gícero Jackson Jácome de Macedo e Silva
Fernando Lins de Vasconcelos
Fernando Tálio Coimbra Cabral
Francisco Auvernes de Oliveira
Francisco Pereira
Francisco Suenom B. Nota
Francisco Tavares Anastácio
Francisco Wilson Noca
Geraldo Magela Pinheiro Gome
Heleno Oliveira Gançalves
João Aécio Sabiá
José Hélio Bezerra de Brito
José Jarbas Emídio Cunha
José Lopes de Sousa
José Paceli Sabiá
Marijesu Pereira
Máio Ítalo Pereira de Matos
Odival Limeira Lima
Oduvaldo Limeira Lima
Pedro Ferreira Barros
Ronaldo Marcelo Sobreira
Samuel Wagner Marques de Almeida
Teodoro Pereira
Vantuil Matias
Vicente Favela Filho
Xerxes Maia de Figueiredo



terça-feira, 21 de maio de 2013

Primeira excursão de estudantes de Juazeiro ao Rio de Janeiro

Esta foto de 1964 mostra a primeira turma de estudantes juazeirenses a fazer uma excursão ao Rio de Janeiro. Era a turma do Ginásio Salesiano São João Bosco, chefiada pelo Padre Luís Alberto. Os estudantes viajaram em ônibus da empresa do Sr. Chagas Bezerra. Para angariar o dinheiro necessário ao pagamento da excursão foram feitas muitas campanhas, como a da garrafa vazia, do livro de ouro, rifas etc. A foto foi clicada à beira do rio São Francisco na cidade de Belém do São Francisco. São vistos, entre outros: Em pé, da esquerda para a direita: João Batista Ferreira, um não identificado, Prof. Luiz Magalhães, Pe. Luiz Alberto Peixoto, Vivaldo de Carvalho Nilo, Francisco Adonias de Morais Sobreira, Diacir Andrade, João Tadeu Lustosa de Brito, Raimundo Gomes de Lima, Daniel Walker Almeida Marques, Antonio Izomar Cruz Martins e Luiz Afonso de Oliveira. Agachados ou sentados, da esquerda para a direita: Antonio Maglionio Soares Feitosa, Osvaldo Rocha Reinaldo, Francisco Carlos Macedo Tavares, José Waldizar de Figueiredo, Antônio Renato Soares de Casimiro, João Reginaldo Tenório, José Wilson Lima, e José Carlos Pimentel e Silva.
Foi uma viagem inesquecível e ao mesmo tempo uma verdadeira  aventura. A estrada só tinha asfalto depois da cidade de Feira de Santana, na Bahia; o ônibus quebrou no meio do caminho; houve briga entre alguns estudantes. Fomos ao Rio de Janeiro, mas ficamos hospedados no Colégio Salesiano de Niterói. Diariamente fazíamos a travessia Niterói-Rio de Janeiro-Niterói, pois àquela época ainda não existia a ponte. Várias vezes fizemos refeições no famoso Calabouço, restaurante estudantil onde fora morto pelo exército um estudante tido como subversivo (estávamos no início da ditadura militar). Houve muitos lances interessantes na excursão. Certo dia um pequeno grupo de excursionistas que havia ido ao Rio de Janeiro para assistir a um jogo de futebol, no Maracanã, chegou tarde ao porto, perdeu o último barco para Niterói, e teve de dormir no cais. Um jogo chamado de “rapa-tudo” era a atração de todas as noites antes de dormir e isso deixou muitos com “caixa zero”, retornando a Juazeiro à base de pão e água. Fizemos uma visita histórica ao porta-aviões Minas Gerais graças à generosidade do Sub-tenente Osmar Cavalcante, irmão de João Bosco, um dos excursionistas. Certa noite, numa animadíssima quermesse que estava havendo no Colégio Santa Rosa (onde estávamos hospedados) tivemos de disputar as garotas presentes com um grupo de argentinos... e saímos perdendo, mesmo José Carlos Pimentel tentar falar com as garotas argentinas em espanhol. Também houve muitos fatos engraçados, como o daquele colega que nunca tinha visto um elevador e quando nós estávamos dentro de um, para subir ao andar de cima de uma loja de departamentos, ele perguntou curioso: “O que é que a gente está fazendo neste quartinho?” Essa excursão foi mesmo um marco na vida da gente. Outro fato pitoresco foi a gente tentar pagar meia entrada no cinema para assistir ao filme Cleopatra, mostrando a carteira do CEJ. Não colou. Foi nessa viagem que a gente viu televisão pela primeira fez. Foi na cidade de Feira de Santana, BA. No colégio onde estávamos hospedados havia televisor e a gente assistia toda noite. Estávamos fascinados com a novidade! 
E você que participou dessa inesquecível excursão tem algum fato novo para acrescentar? 
Mais fotos




domingo, 17 de junho de 2012

Escoteiros!




A foto acima mostra um momento do escoteirismo em Juazeiro do Norte. O garoto à frente com a bandeira é o hoje Dr. Francisco Barbosa, médico. Também se vê na foto: o jornalista Walter Barbosa (de palitó), seguido de Frei Egídio e o Dr. Evandro Onofre.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

No tempo da Jovem Guarda


No tempo da Jovem Guarda os jovens de Juazeiro do Norte procuravam imitar seus ídolos, especialmente os cantores e conjuntos musicais que estavam em evidência. Foi uma época propícia ao surgimento de bandas amadoras e até profissionais. Quem não podia montar uma banda de verdade, com instrumentos musicais caros, era o jeito improvisar como fizeram os jovens da banda acima, denominada de Os Playbois, cuja formação era a seguinte, da esquerda para a direita: Moema Barros (vocalista), Luiz Demontier Marques (maracás), Jorge Luiz Marques (bateria), Wilson Peixoto (violão) e Nelson Balbino (guitarra). Apesar da pobreza dos instrumentos musicais e do equipamento de som (vejam o detalhe do microfone) Os Playbois levavam a coisa a sério. Ensaiavam com muito afinco e chegaram inclusive a apresentar shows em casas de amigos. Assim se divertiam os jovens nos tempos da Jovem Guarda em Juazeiro. 

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Fundado o Bureau de Imprensa de Juazeiro


JUAZEIRO DO NORTE (De Daniel Walker, correspondente) — A Associação Juàzeirense de Imprensa, inaugurou segunda-feira última, dia 3 de janeiro de 1966,  o "Bureau" de Imprensa de Juazeiro, que funciona no Paço Municipal. O sr. Prefeito Municipal, major Humberto Bezerra, deu todo o seu apoio à iniciativa da AJI, pois acredita, como êle mesmo disse em seu discurso, que esse "Bureau" será o porta-voz da nossa cidade, dlvulgando-a através de noícias sadias e verídicas. A sessão solene de inauguração teve início precisamente às 17 horas, sendo que, antes, o Prefeito cortou a fita simbólica, dando por inaugurado o BIJ. Em seguida, foi lida, pelo 1.° Secretário da Associação Juàzeirense de Imprensa, a Portaria n.° 2, do Presidente da AJI, que nomeou a seguinte diretoria para reger os destinos do "Bureau": Chefe: José Carlos Pimentel; Secretário: Expedito Silva; Diretor de Relações Públicas Publicas: Raimundo de Oliveira. O primeiro orador da sessão foi o Sr. Prefeito Municipal, Major Humberto Bezerra, que disse, entre outras palavras, o seguinte: “Este bureau foi o presente de Ano Novo do Prefeito. Nossa cidade precisa de maior divulgação para se tornar mais conhecida. Esse bureau deve fazer crítica, apontar os erros da minha administração...". Em seguida, fez uso do verbo o confrade Aldemir Sobreira, que falou da importância do "Bureau" de Imprensa de Juazeiro. Os oradores seguintes foram: Valter Barbosa, presidente da AJI, que agradeceu, em nome da entidade, a adesão do Chefe do Executivo Juàzeirense; José Carlos Pimentel ressaltou também a importância do "bureau" e prometeu desempenhar, com solicitude, o cargo de que foi incumbido. A sessão foi encerrada, logo em seguida.
COQUETEL
A fim de comemorar, festivamente, a inauguração do "Bureau" de Imprensa de Juazeiro os associados da AJI ofereceram aos convidados um fino coquetel, que teve lugar na residência do jornalista Valter Barbosa, contando, inclusive, com a presença do chefe da comuna juàzeirense. Na oportunidade fizeram  uso   da palavra os seguintes oradores: Jeová sobreira, Dário Coimbra, José Carlos Pimentel, Rivaldo Cavalcante, Daniel Walker, Expedito Silva, Valmir Lima, Fran Barbosa, Pedro Duarte, Wellington Amorim e Valter Barbosa.

Nota do Editor: esta notícia foi publicada no jornal O Povo, de Fortaleza, em 7 de janeiro de 1966. O Bureau de Imprensa não existe mais. 

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Inaugurado Cine Luz

Juazeiro do Norte (De Daniel Walker - Correspondenrte) -  Foi inaugurada no dia 1º de janeiro, em nossa cidade, o Cine Luz, situado no Bairro da Estação. Com a inauguração desta nova casa de diversão Juazeiro fica, agora, com  quatro bons cinemas (Eldorado, Capitólio, Plaza e Luz). O novo cinema é de propriedade do Sr. Luiz Dantas de Macedo, que também é proprietário do Cine Plaza, inaugurado no ano próximo passado.

Nota do Editor: Esta notícia foi publicada no jornal O Povo, de Fortaleza, na edição de 8 de janeiro de 1966. Eis aí uma boa informação para quem está pesquisando a história dos cinemas de Juazeiro do Norte.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Banco da Bahia inaugura agência em Juazeiro

A foto acima fixa o momento em que o dr. Hélio Filgueiras, 
presidente do Banco da Bahia, fazia o seu discurso dando
 por inaugurada a agência de Juazeiro do citado banco.
 (Fotografia de Raimundo de Oliveira, repórter-fotográfico 
de O POVO).

Juazeiro do Norte (de Daniel Walker - Correspondente) - Tal como estava previamente marcado, foi inaugurada, terça-feira, dia 14 deste, a agência desta cidade do Banco da Bahia. O ato religioso foi oficializado pelo Revdmo. Pe. Murilo de Sá Barreto, que, em seguida, proferiu brilhante discurso, sendo bastante aplaudido pêlos presentes às solenidades. Após o discurso do ilustre sacerdote, fizeram também uso da palavra pela ordem: dr. Hélio Filgueira; maj. Humberto Bezerra e o sr. Osvaldo Alves Dantas. Em  seguida, foi oferecido aos presentes um coquetel. Com a instalação do Banco da  Bahia, nossa cidade fica agora com cinco estabelecimentos bancários, prova incontestável de que Juazeiro está se desenvolvendo em todos os setores. Conforme a reportagem de "O POVO" conseguiu apurar, o Banco da Bahia é o mais antigo estabelecimento bancário do Pais, entrando em 16 estados da federação com 155 agências espalhadas pelas principais cidades do Brasil, funcionando normalmente. Referido Banco conta, atualmente, com mais de 14 bilhões, entre capital e reservas, e possui em depósito mais de 84 bihões de cruzeiros A recém-fundada agência é a primeira da região ao Cariri e coube a Juazeiro a primazia de possuí-la, o que se constitui mais um agigantado passo para o progresso da "Terra do Pe. Cícero".
 NOTA DO EDITOR: Esta notícia foi publicada na edição do dia 21 de dezembro de 1965. 

domingo, 29 de abril de 2012

No tempo da Câmara Junior

A foto acima é do tempo em que existia em Juazeiro a Câmara Junior e foi clicada pelo fotógrafo Raimundo de Oliveira Gonçalves. Marca o momento que eu, então redator do Grande Jornal Sonoro Iracema (Rádio Iracema) e correspondente do Jornal O Povo, de Fortaleza, fazia a cobertura da presença, em nossa cidade, do Sr. José Gerardo, então presidente da Câmara Junior do Brasil. São vistos, da esquerda para a direita: Luiz Carlos de Lima, Daniel Walker, Fernando Assunção Feitosa (falecido recentemente), na época presidente da Câmara Junior de Juazeiro e o presidente da Câmara Junior do Brasil, José Gerardo. A foto foi batida no escritório da Orpec, de Fernando Feitosa, no dia 30 de outubro de 1965.

quarta-feira, 25 de abril de 2012

MUG - O BONECO DA SORTE NO CARNAVAL DE JUAZEIRO (1967) - Por Renato Casimiro



Nos anos 60, em Juazeiro do Norte como em qualquer parte deste país, afloraram com muita força alguns modismos. Um desses foi veiculado a um boneco criado para significar um objeto de boa sorte. Era o MUG. Conforme leio na internet: Fenômeno dos anos 60 o boneco MUG esteve presente na juventude de muitas pessoas, e passou pelas mãos de diversos artistas como Chico Buarque e Wilson Simonal. O MUG da sorte foi tema de carnaval, charges de jornal, capa de lp, fantasia e muito mais. No blog http://bonecomug.blogspot.com.br/  você poderá conhecer um pouco mais da história deste mugnifíco boneco através de arquivos guardados por João Evangelista Leão, um dos criadores do boneco, postados aqui por seu filho João Leão Filho. A Revista Veja (edição 2116, 2009) fez um breve relato sobre o aparecimento deste boneco: Um curioso boneco de pano aparece no documentário Simonal – Ninguém Sabe o Duro que Dei, em cartaz nos cinemas. Batizado de Mug, o bichinho, uma brincadeira criada por um grupo de amigos, ganhou aura de amuleto nas mãos de cantores como Wilson Simonal (1939-2000) e Chico Buarque. "Foi uma febre, mas durou pouco: só uns quatro ou cinco meses de 1966", diz um dos idealizadores, Horácio Berlinck Neto, à época produtor do programa de TV O Fino da Bossa. "Faltou estrutura mercadológica, não ganhamos um tostão com aquilo." Entre as peripécias atribuídas ao Mug estariam a autoria do texto de contracapa do LP Vou Deixar Cair... (1966), de Simonal, e a inspiração para a composição de A Banda, o primeiro grande sucesso de Chico. No ar desde maio, o blog bonecomug.blogspot.com, lançado pelo empresário João Leão Filho, pretende resgatar essas e outras histórias em torno do boneco. Filho do produtor musical João Evangelista Leão (1939-1997), outro dos pais do Mug, o blogueiro tem até hoje o seu boneco. "Não o vendo por dinheiro nenhum", diz. Pela televisão, tanto nos programas da Tv Excelsior (RJ), como na da Tv Record (SP), a presença de cantores famosos, como os da jovem guarda, especialmente, mas também os da MPB (Chico, Simonal, Caetano, Claudete, Elis, Hebe, etc) era acompanhada da figura do boneco MUG. O boneco ganhou tanta notoriedade que um roubo de um veículo pertencente a Chico Buarque, e que continha um boneco no interior, virou notícia muito badalada na imprensa da época. A juventude de Juazeiro do Norte estava ligada a este modismo, de tal forma que para o carnaval de 1967, ainda na onda, criaram o Bloco Folia do MUG. O bloco participou das noites carnavalescas exibindo duas fantasias, cujos detalhes exibiam traços marcantes do boneco, com sua roupa axadrezada. Há pouco, Sávio Leite Pereira nos brindou com 3 imagens deste Carnaval, mais celebrado no Treze Atlético Juazeirense, em cujo bloco ele destaca os seguintes componentes: Herialdo Leite Pereira, Miriam Calado, Jacira Leite, Sávio Leite Pereira, Volnei Magalhães, Váldsen Pereira, Vânia Marques, Darival Grangeiro, Ricardo Almeida ("Pinguim"), Célia, Fantinha Menezes, Alcélia Bento, Marta Grangeiro, Marconi Pereira Carneiro, Teresa Cristina Meneses, Luiz Anchieta Gondim Machado.  Numa das fotos, aparecem, fora do bloco, Hélder Leite Pereira (Deca) e Daniel Saraiva Guimarães (filho de Juraci Saraiva e Antonio Guimarães, RJ).




















quarta-feira, 11 de abril de 2012

Icasa é penta-campeão

O Icasa Esporte Clube de Juazeiro do Norte sagrou-se penta-campeão de futebol ao vencer o Guarani por 3 x 2, em partida que rendeu cinco milhões de cruzeiros velhos, em numero redondo. A cidade viveu momentos de autêntico carnaval, com desfile de carros com bandeiras dos dois times, charangas nas ruas, aquela empolgação que só o "esporte rei" pode proporcionar. Com o jogo de domingo fica definitivamente compro-vado: Juazeiro do Norte é o segundo centro esportivo do Estado. Na foto, da esquerda para a direita: Pirajá, Raimundo, Lírio, Nena, Munda e Luciano. Agachados: Pio, Geraldino, Loulanca, Gilson. Eusébio e Zé Cícero. Nã aparece Ramos, o grande capitão da equipe.

Nota do editor: esta notícia foi publicada originalmente no jornal Gazeta de Notícias, de Fortaleza, na edição do dia 21 de outubro de 1969, enviada pelo seu correspondente de Juazeiro, Wilton Bezerra.


quarta-feira, 4 de abril de 2012

Turma de 1962 do Colégio Monsenhor Macedo

A foto acima é rara e nos foi enviada por Marlene Cabral Ribeiro. É uma das poucas memórias fotográficas que restam do famoso e conceituado Ginásio Monsenhor Macedo mantido em Juazeiro do Norte pelas Irmãs Missionárias de Jesus Crucificado. A foto mostra a turma de 1962 da Primeira Série do Curso Ginasial. À época este educandário juntamente com a Escola Normal Rural eram os preferidos pela juventude feminina juazeirense. Depois, já transformado em Colégio Monsenhor Macedo, foi desativado, deixando uma lacuna no setor educacional desta cidade. Foram identificadas na foto acima: 1) Marleide Cabral Ribeiro. 2) Gerusa Cansanção. 3) Fátima Matos Meneses. 4) Regina Sílvia Gonçalves. 5) Socorro Lucena Matias. 6) Maria Lima Silva (Vilani). 7) ?. 8) Ana Exalá-lo Sales (Naninha). 9) ?. 10) ?. 11) Terezinha Matos Menezes. 12) ?. 13) Olívia Sousa. 14) Ana Lúcia Bezerra. 15) ?. 16) Zelinda Vieira Gonçalves. 17) ?. 18) Maria do Socorro Belarmino de Sousa. 19) Itamira Figueiredo. 20) Francisca Santos. 21) ?. 22) Ivonei Casimiro. 23) Lili Macedo. 24) Iramir Casimiro. 25) ?. 26) Maria das Graças Tenório Cruz. 27) ?. 28) Norma Melo. 29) Eliete  Vieira. 30) ?. 31) Joselíria Cordeiro. 32) Lucia Vanda Rocha. Quem souber os nomes das alunas não identificadas, por favor, nos comunique que teremos prazer em publicar.  E quem tiver mais fotos de turmas de estudantes de Juazeiro podem mandar que publicaremos.


Abaixo outra foto do Monsenhor Macedo:

Na foto acima, do arquivo de Tereza Neuma, temos uma relíquia do Colégio Monsenhor Macedo em 1968. São vistas, em pé, da esquerda para a direita, as freiras irmãs Helena Hilta, Elvira Dantas (Diretora) e Ruth Saraiva Leão.  Sentadas, na mesma ordem, as alunas Zilma, Tereza Neuma de Macedo e Silva, Glória Lopes Rodrigues, Jane Menezes, Querubina Bringel e Ivonei Casimiro. As alunas faziam parte do 3º Pedagógico. 

quarta-feira, 21 de março de 2012

Turma de 1966 do Tiro de Guerra 210

No dia 25 de novembro de 1966 eu publiquei no jornal O Povo de Fortaleza a seguinte matéria:



Pela primeira vez, em sua história o Tiro de Guerra 210, de Juazeiro do Norte, realizou solenemente e com muita pompa uma festa de Encerramento do Serviço Militar. Os atiradores coadjuvados pelo seu Instrutor, 2º Sargento Veras, trabalharam com denodo e entusiasmo na ânsia de conseguir um grande êxito. O programa elaborado e comprido a risca constou do seguinte: missa campal na Praça do Cinqüentenário, celebrada pelo Assistente Eclesiástico do TG, Frei Egídio de Messejana, Cerimonial de Juramento à Bandeira, na Praça Padre Cícero, quando 51 atiradores prometeram “defender a Pátria com o sacrifício da própria vida”. Em seguida o Tiro de Guerra desfilou garbosamente em continência às autoridades. Isto foi pela manhã. A noite houve uma partida de futebol de salão entre as equipes do Tiro de Guerra 210 x Polícia Militar, em disputa da Taça Gregório Callou. E finalmente uma monumental Festa Dançante (Festa dos Reservistas) no Clube dos Doze, animada pelo Conjunto Jovem Guarda. Antes, porém, houve a sessão solene para entrega de certificados e medalhas aos atiradores: José Carlos Pimentel (Atirador mais dedicado ao TG), Paulo de Sousa (Atirador-modelo) e José Araújo Monteiro (Atirador mais assíduo). Falaram na oportunidade o orador oficial da turma, Perboyre Lacerda Sampaio, Dr. Leão Sampaio e Dr. Edvar Teixeira Férrer, prefeito municipal e diretor do Tiro de guerra 210.
OS RESERVISTAS
Ainival Pereira, Amarílio Machado, Antônio Amorim, Antônio Carlos Macedo, Antônio Dourado, Antônio José de França. Antônio Taumaturgo Salviano, Antônio Vidal, Aristarco Fran-ça, César William, Daniel Walker, Domiciano Cavalcante, Eusébio Emídio, Francisco Adonias, Fco. Alves de Oliveira, Fco. Alves Pinheiro, Fco. Casado de Araújo, Fco. Eduardo Van Den Brule. Fco. Hélio Saraiva, Fco. Maurílio, Fco. Pereira Leite, Fco. Pereira Xavier, Gastão Luiz Matos, Geraldo Mage-la de Brito, Geraldo Monteiro, Gervásio Dantas Job, Itamar Figueiredo, João Bosco Frazão, João Freire Silva, João Gomes Diniz. João Tenório, José Anastácio Tavares, José Antônio de Almeida, José Araújo Monteiro, José Carlos Pimentel, José de Sousa Fontes, Jussier Gomes, Jussier Cunha, José Osenir Pe-reira Landim, José Wilson de Lima, Luís Alves de Oliveira, Maurício Rodrigues, Orivaldo Limeira, Otacílio Leonel, Paulo Sousa, Perboyre Lacerda e Zeilton Albuquerque.

E agora mostro abaixo, uma cópia do convite de formatura da turma, uma relíquia que me foi enviada pelo amigo Paulo de Sousa, o Atirador-modelo da turma de reservistas:






terça-feira, 20 de março de 2012

No tempo em que Juazeiro tinha fábrica de doce

Na década de 60 Juazeiro do Norte tinha uma fábrica de doce cujos produtos eram bastante apreciados pela população local e também dos estados de Pernambuco, Paraíba, Sergipe e Maranhão, para onde eram exportados. Era a Fábrica de Doces Boa ideia, do Sr. Pedro Bezerra da Silva (visto na foto ao lado). A fábrica produzia doces de banana e goiaba e estava localizada na Rua Senhora Santana. Quem morava perto da fábrica ainda hoje recorda com saudade o cheiro de frutas que se expandia pelos arredores, denunciando a sua presença.  Seu Pedro é pernambucano de Caruaru, tendo chegado em Juazeiro, para morar, em 1962. Pouco tempo depois instalou a fábrica que em 1980 foi vendida ao Sr. Viana Neto, e pouco tempo depois, fechada. 

segunda-feira, 5 de março de 2012

Ginásio Salesiano: 3ª Série de 1961

























GINÁSIO SALESIANO SÃO JOÃO BOSCO Foto da 3ª. SÉRIE 1961
Da esquerda para a direita, e da frente (sentados) para trás:
  Sentados:  1. Adauto Balbino da Silva  2. Hernandes Bezerra de Souza  3. José de Oliveira Alves
 4. Frederico Falcão Sotovia  5. José Lainê Gomes  6. João Batista Neto  7. Antonio Pereira
  Segunda fila:  8. Mário Pereira Temóteo  9. José Élido Filgueiras Magalhães  10. Francisco Neri Filho  11. Adálio de Oliveira Silva  12. Paulo Sobreira Bezerra  13. José Breno da Silva
 14. Erasmo Carneiro Monteiro
  Terceira fila:  15. Edson Matos Feitosa  16. Genésio Mattos Júnior  17. José Edny Araújo Silva
 18. José Evânio Guedes  19. Antonio Germano Magalhães  20. Antonio Inácio Filho
 21. Luiz Gonzaga Moura Araújo  22. Italo Magalhães  23. Raimundo Nonato de Alencar Dantas
 24. João Bosco Bezerra  25. Edgar Amaro de Barros  26. Ademar Arruda Batista Palitó
 27. Francisco Araújo Filho  28. Hildeberto Jurumenha Ribeiro

sexta-feira, 2 de março de 2012

João Martins no tempo das grandes festas dançantes


João Martins e seu conjunto animaram festas memoráveis no Treze Atlético Juazeirense, no Clube dos Doze, no BNB Clube e na AABB em Juazeiro do Norte. Eram grandes festas, especialmente as realizadas nas décadas de 60 e 70, quando a sociedade juazeirense bancava festas inesquecíveis, como a Festa Branca, a Festa das Flores, a Festa das Debutantes e as tradicionais Festas de Colação de Grau. João Martins estava no centro de tudo isso. Ele veio de Missão Velha para Juazeiro em 1954. É alfaiate de profissão e músico por vocação e idealismo. Iniciou sua carreira de músico em nossa cidade, tocando no Regional da Rádio Iracema, apresentando-se no Clube dos Doze. Tocava violão. Em 1961 criou com seu sobrinho Rosiel o J. Martins e seu Conjunto. Em 1967 mudou o nome para J. Martins Show e depois, em 1971, uniu-se a Hildegardo Benício, de Crato, e fundou o Hilder Martins Som. Na foto acima vemos a formação do J. Martins Show, da esquerda para a direita: Patrício (acordeão), João Martins (guitarrista), Roterdan (contrabaixo), Chico Cancão (saxofonista), Bebê (pistonista), Geraldo (baterista), Wilson (percussionista e vocalista) e o empresário Raimundo Milton. A todos esses músicos a nossa homenagem.